Voando ao Barreiro: Festival Passagens
- Gabriel Figueiró

- 30 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: há 1 dia
A participação do Andorinha – Biblioteca de Gente em Movimento no Festival Passagens, no Barreiro, foi um momento muito importantes do nosso percurso.
O convite chegou através de Xana Piteira, do Coletivo Orla Design, que nos conectou com o coletivo HuBB – Humans Before Borders, organizador do festival. Durante dois dias, estivemos na SIRB Os Penicheiros com a nossa instalação, no meio de uma programação dedicada à migração, fronteiras, mobilidade humana, direitos humanos, movimento negro em Portugal, imigração e mercado de trabalho.
O festival reunia música, debates, cinema, poesia, oficinas, performances, gastronomia, exposições e feira de artes. Mais do que um evento cultural, era um espaço de encontro, resistência e criação feito por pessoas migrantes e por pessoas comprometidas com a defesa da mobilidade humana.

Para o Andorinha, foi a primeira aparição pública em Portugal.
Inicialmente, pensávamos apresentar apenas a instalação. Mas, ao chegar ao festival, percebemos que havia ali uma diversidade enorme de culturas, histórias e trajetórias migratórias. As pessoas estavam disponíveis para conversar, partilhar e escutar. Sentimos que seria uma oportunidade importante para testar algo que viria a tornar-se central no projeto: a gravação de histórias.
Foi no Festival Passagens que começámos a experimentar, com mais intenção, a recolha de narrativas pessoais como ferramenta de memória, empatia e ligação. Com o apoio de Bruno Areal, gravámos histórias, recolhemos termos de consentimento de uso de voz e imagem, e reforçámos os nossos cuidados éticos em relação à forma como acolhemos, guardamos e partilhamos experiências tão pessoais.
Algumas destas histórias foram depois disponibilizadas no nosso canal de YouTube e podem ser vistas na íntegra através do website oficial do projeto.
Mais do que entrevistas, estas gravações foram encontros. Cada pessoa que se sentou connosco trouxe uma parte da sua história, mas também abriu uma janela para questões maiores: o que significa migrar? O que deixamos para trás? O que procuramos quando chegamos? O que nos faz sentir pertença?
O Festival Passagens ajudou-nos a compreender que o Andorinha podia ser mais do que uma instalação itinerante. Podia ser uma ferramenta de escuta e memória, capaz de ligar histórias individuais a debates coletivos sobre migração, direitos humanos, justiça social e pertença.
Saímos do Barreiro com muitas aprendizagens e inspiração. Aprendemos sobre o cuidado necessário ao gravar histórias pessoais. Aprendemos sobre a importância dos consentimentos, da escuta e da responsabilidade ética. Aprendemos também que, quando existe um ambiente de confiança, as narrativas podem atravessar fronteiras e criar pontes entre pessoas que talvez nunca se encontrassem de outra forma.
O Festival Passagens foi, para nós, um ponto de virada.
Ali, a Andorinha pousou pela primeira vez em Portugal diante do público.
E, ao escutar outras histórias em movimento, compreendeu melhor o seu próprio voo.
Financiamento
O Andorinha — Biblioteca de Gente em Movimento é financiado pelo Corpo Europeu de Solidariedade, programa da União Europeia que apoia iniciativas de juventude e impacto comunitário.
Acompanha e participa
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