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Pé na Terra: histórias de casa, língua e pertença

  • Foto do escritor: Gabriel Figueiró
    Gabriel Figueiró
  • 4 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Em setembro de 2025, a Andorinha pousou no Festival Pé na Terra, em Almancil.

Foi uma das etapas em que a nossa instalação teve maior visibilidade. A biblioteca foi posicionada numa zona central do recinto, em frente ao palco, e isso fez com que muitas pessoas passassem por nós ao longo do festival. Algumas paravam por curiosidade. Outras sentavam para ouvir. Outras começavam conversas informais sobre casa, identidade, migração e pertença.


O Pé na Terra reúne muitas culturas, especialmente de países que partilham a língua portuguesa. Entre música, comida, dança e encontros, o festival cria um espaço de celebração, mas também nos lembra das histórias complexas que atravessam a lusofonia e os resquícios da colonização portuguesa.



Nesse contexto, a presença do Andorinha ganhou uma camada especial. Havia muitas pessoas imigrantes no festival, tanto a trabalhar como a desfrutar da experiência. A migração não era apenas um tema sobre o qual falávamos; estava presente nos corpos, nas vozes, nos sotaques, nos trabalhos, nas músicas e nas formas de estar.


A nossa instalação disponibilizou um fone de ouvido e um iPad para que o público pudesse assistir, através dos QR Codes expostos na estante da biblioteca, às histórias recolhidas anteriormente no Festival Passagens, no Barreiro.


Também propusemos uma dinâmica simples: convidámos as pessoas a escrever aquilo de que mais sentiam falta de casa e quais elementos representavam “lar” para elas.

As respostas trouxeram memórias muito concretas: comidas, cheiros, pessoas, paisagens, línguas, objetos e sensações. Pequenas palavras que revelavam como a ideia de casa pode viver em muitas coisas ao mesmo tempo.


Durante o festival, facilitámos rodas de conversa sobre imigração em Portugal, a perceção das pessoas portuguesas sobre as mudanças migratórias no país, o sentimento de ser migrante dentro do próprio território nacional e as diferenças culturais entre o norte e o sul.

Foi também neste festival que conhecemos Marta Mayer, advogada portuguesa com experiência no apoio a pessoas imigrantes. A sua partilha sobre processos de regularização, vulnerabilidade documental e situações de imigração irregular trouxe uma dimensão jurídica e prática muito importante para o projeto.



Até ali, vínhamos trabalhando sobretudo a partir da escuta sensível das histórias pessoais. Com Marta, compreendemos ainda mais que falar de migração também exige falar de direitos, documentos, burocracias, acesso a informação e proteção.


O Festival Pé na Terra foi o evento em que mais pessoas foram impactadas diretamente pela nossa instalação. Trouxe-nos muitas conversas espontâneas, novas conexões e o maior crescimento de seguidores nas redes sociais do projeto.


Mas, mais do que números, esta etapa mostrou-nos a força de criar um espaço de pausa no meio de um festival. Um lugar onde as pessoas podiam ouvir histórias, escrever sobre casa e conversar sobre as muitas formas de estar em movimento.



No Pé na Terra, a Andorinha aprendeu que a língua pode ser ponte, mas também memória de uma história desigual. E que falar de pertença é também escutar aquilo que cada pessoa carrega quando pensa em casa.


Financiamento

O Andorinha — Biblioteca de Gente em Movimento é financiado pelo Corpo Europeu de Solidariedade, programa da União Europeia que apoia iniciativas de juventude e impacto comunitário.


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